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01/02/2008 13:58 Egoísta
O mundo desaba
e eu escrevo poemas
nada mais posso fazer
senão olhar o horizonte
e escrever...
apesar do nó na garganta
deixo de lado as polêmicas
e escrevo poemas de amor
o que, afinal, não é tão difícil
olhar para meu próprio umbigo
sentir pena de mim mesma
e ignorar a dor alheia
centenas de vezes maior que a minha
eu, que quase não tenho problemas
sinto que o chão vai se abrir
e engolir, sem mastigar
minha mediocridade e pequenez
eu bem poderia escrever
sobre a atualidade do mundo
a dura realidade que nos assola,
mas falo apenas do meu coração
E PONTO FINAL. Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(3)
23/10/2007 10:58 A magia da vida
Plantei um casulo no meu jardim
Ele era brilhante, feito gota de prata
Refletia a luz e as cores ao seu redor
Fiz para ele uma cama de folhas de tomate,
Dentro de um pequenino vaso
Num belo sábado azul, sete dias depois
Tive uma bela surpresa
Já havia esquecido da semente prateada
E, no entanto, nesta manhã,
a natureza me presenteou
com uma linda flor-borboleta,
nascida com o amanhecer
da gota de prata, restou apenas uma fina casquinha
e a pequena bichinha explodiu em cores
desenhos amarelos, laranjas e pretos,
borboleteando pelo sábado afora... Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(2)
19/03/2007 09:53 Papo de jardim
Ora, ora, ora, se você não é um pé de maracujá!
e vocês aí do lado, uns matinhos sem-vergonha
olha que eu plantei erva-doce
e estou até agora no aguardo...
Poupei a vida de um ser
que depois descobri tratar-se de uma tiririca
pensando que fosse um pé de capiá,
mais conhecida como lágrimas-de-nossa-senhora
A outra planta ali na frente,
que julguei ser pimenteira
estou até agora sem saber quem é
Os trevos roxos de cabo azedinho
insistem em crescer junto à jurema
que, além de ser muito linda, ainda
é muitíssimo poderosa, homem e mulher
E uma pedra que eu roubei de Oxum
cor-de-rosa, mora no vaso
Em meio a tudo isso, cresce viçosa
a minha querida e aromática alfazema... Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(3)
08/03/2007 20:47 Tem gente que paga para:
Correr sem sair do lugar, olhando para a parede
Tragar fumaça, com mais de quatro mil substâncias tóxicas
Assistir aos big brothers dormindo ou fritando ovo
Levar umas boas chicotadas e ser defecado em cima
Entrar numa cápsula quente, para ficar bronzeado
Cheirar pó branco e vicioso que corrói as entranhas
Ter na estante a escultura do cocô da filha do Tom Cruize (!!!)
Tirar a vida de outra pessoa que está em seu caminho
Pôr um piercing na perseguida
Pintar o cachorro de cor de rosa
Ficar pulando a noite toda, ao som de bate-estaca
Redimir-se dos pecados e obter um lugar no céu
Colocar uma garrafa pet de silicone em cada peito
Tem gente que não tem dinheiro para:
Comer
Morar
Educar-se
Divertir-se
Passear
Cuidar da saúde
Ter filhos
Envelhecer
Morrer
(com dignidade)
Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(2)
06/03/2007 16:04 novidade
vou ter que cumprir minha promessa
agora tenho um computador com internet em casa
não há mais desculpas,
pelo menos uma besteira por semana
preciso escrever...
às vezes penso que meus poucos e fiéis leitores
ficarão entediados de ler minhas linhas aborrecidas
repetidas com tanta freqüência, mas tentarei...
quem sabe, algo novo surge na caixola.
amanhã falarei dos papos que levo
com as flores e plantas do meu jardim
as minhas amadas filhinhas verdes
aguardem...
quando eu tiver minha máquina digital então...
ninguém me segura!
perco cada oportunidade por aí! Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(1)
08/01/2007 16:49 Pessimista Mais um ano se inicia
na minha breve jornada
não sei se mudei quase tudo
ou se apenas transformei o nada
sei que persisto, insisto em viver
A cada dia descubro alguém diferente
dentro de mim, por vezes não me reconheço
Apesar de ser tão previsível
A vida segue seu rumo, alheia à minha vontade
Como a água impõe seu caminho à terra
na busca pelo azul infinito, seu destino
enfim misturar o doce e o salgado
E eu tenho me deixado levar
como um veleiro em pleno mar
ora revolto, ora sereno
espelho, penumbra, luar, tempestade
o que mais me assombra
é o silêncio ruidoso do mistério
que envolve a existência
contudo, aqui estou, em plenos 2007!
um quarto de século já se passou
desde o meu nascimento
e de lá para cá, tanta coisa mudou!
já é possível visualizar o fim do planeta
Pessimista? talvez...
mas o fato é que chegamos a um ponto
em que o retorno é difícil
não há como fazer a engrenagem parar
Além disso,
suspeito que não haja interesse
em frear a máquina econômica
em nome de um ideal altruísta
A Terra clama por socorro
e são poucos que a escutam
talvez seja por essas e por outras
que a chegada de um novo ano
seja algo assustador para mim...
Por vezes penso em ter um filho
mas em seguida mudo de idéia
sinto um gelo na barriga, verdadeiro pânico
o que será do planeta daqui 30 anos?!?!
o que será dos seres humanos?!
só mesmo Deus para ter piedade
e fazer algo pela humanidade
se é que ele tem algum interesse nisso
preservar uma espécie que, apesar da genialidade
insiste em destruir, cobiçar, poluir e...
consequentemente, buscar o suicídio coletivo Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(5)
23/10/2006 10:34
Pessoa

Geralmente, não gosto muito de transcrever poemas alheios, mas hoje, ao passear por esse maluco mundo virtual, tive um reencontro com um de meus poetas preferidos, que de tão humano, chama-se pessoa e carrega em suas costas uns cinco outros caras, com nomes, profissões, complexos e histórias diversas. Um deles é Alberto Caieiro, um sonhador, místico e cético ao mesmo tempo. Parecido comigo. Esse poema que agora transcrevo toca profundamente minh'alma. Traduz o que sinto, o que penso, como se fosse meu...
A espantosa realidade das cousas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada cousa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.
Basta existir para se ser completo.
Tenho escrito bastantes poemas.
Hei de escrever muitos mais. naturalmente.
Cada poema meu diz isto,
E todos os meus poemas são diferentes,
Porque cada cousa que há é uma maneira de dizer isto.
Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada.
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.
Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.
Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem estorvo,
Nem idéia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos
Porque o digo como as minhas palavras o dizem.
Uma vez chamaram-me poeta materialista,
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer cousa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade. Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(4)
17/10/2006 13:08 sozinho...
*foto de manoel gonçalves
coitado do blog da Aline...
tão abandonado, desatualizado, não mais frequentado...
essa menina, ou melhor, mulher displicente
deixou de escrever rimas e bobagens
se ocupa agora apenas do tal jornalismo
não sonha mais, esqueceu da poesia
tão necessária de cada dia,
que antes servia de alento para seu coração
pode ser também que seu amigo,
o invisível poeta interior
a tenha abandonado,
ido ter com outras gentes
médiuns menos conscientes
que deixam a mão livre para escrever...
mas a Aline sabe
que bem no fundo, a vontade é tanta
de se expressar, manter a bagaça atualizada
rabiscar uma bobagem por dia, que seja
ter leitores, pessoas interagindo, comentando
será que um dia ela consegue?
talvez quando tiver um computador,
com a fundamental internet,
sua conta sair do vermelho,
quando a correria da vida permitir
que ela tenha um romance sem precedentes
e quando ela conseguir se livrar
da jurisprudência da mãe,
dos medos, dos traumas, das cismas
e, principalmente, da velha preguiça
que é a razão de todas as desculpas
e também o seu maior defeito.
então, se esse dia chegar,
ela poderá manter o subversões atualizado,
como se sua sobrevivência dependesse disso,
uma obrigação exigida pela sua própria vontade...
Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(4)
25/07/2006 10:25 visão do mundo (uma versão minha feita à esferográfica e grifa-texto)

“Com quantos atos insanos se faz um louco?
A resposta está no olhar absurdo com que encaro o mundo ao meu redor”.
Juliano Martinz
http://www.adeusmessina.blogspot.com Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(6)
17/07/2006 14:40 Enlatado
Abri uma lata para olhá-la por dentro
E, ao espiar, eu quase não agüento
O cheiro exalando era algo terrível
Podridão do conteúdo ficava visível
Tossi, engasguei e olhei mais um pouco
Lá dentro da lata havia algo muito louco
Uma água viscosa, com nata em cima
Tão nojenta e branca, indigna de rima
Eu não satisfeita, decidi então provar
Tapei nariz e olhos ao experimentar
Talvez palmito, quem sabe aspargo
Mas a verdade é que estava amargo
Foi grande o espanto ao identificar o produto
Era nobre e caro um exemplar daquele fruto
Que agora jazia na lata vencido
Apertado, oprimido, entalado, fedido!
Chorei de pena, depois fiquei com ódio
Jamais me esquecerei desse triste episódio
Por obra do destino o Brasil se decompunha
Essa cruel realidade é que mais me acabrunha Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(2)
11/04/2006 17:52
 Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(5)
07/04/2006 09:00 O homem nu do Perequê-Açu
Não, isso não é mentira.
Eu vi um homem andando nu
pela rua da praia do Pereque-Açu.
Ia tranqüilo,
sentindo a brisa do entardecer nos pêlos pubianos.
Além disso, uma leve garoa caía.
O céu lá no horizonte estava cor-de-rosa
e um arco-íris coroava o morro da Barra Seca.
O mar, sereno, espelhava toda a beleza do cenário
De repente...
Um homem nu na minha frente.
Nem bonito, nem feio.
Um homem normal.
Confesso: fiz questão de olhar
de frente e de costas para constatar
sua nudez que seguia, despropositada
deixando um rastro de pessoas atordoadas
sem reação, boquiabertas, literalmente
e eu, presenciava tudo aquilo
na contra-mão da história:
Um acontecimento sem precedentes na vida,
embora povoe o imaginário de muita gente.
Quem nunca sonhou que caminhava pelado,
pela rua, no trabalho ou na escola?
Mas esse homem não parecia nada constrangido
Ele debochava da sociedade, explicitamente
balangando de um lado para o outro sua indiferença.
Fiquei a filosofar mentalmente a antropologia
O contexto psicofísicoeconomicosocial da situação,
imaginando o que o levou a fazer isso
mas não tive a ousadia de perguntar
Também não acho que ele responderia
Mesmo porque, sem dúvida, seria uma looonga história
E eu não saberia como me portar nessa entrevista
Continuei pedalando rumo à minha casa
sem saber o final do episódio
meus pudores me impediram de ir atrás do homem
que seguia determinado o seu caminho.
Realmente não sei se pretendia chegar ao Centro,
mas o fato é que ele andou bastante e à vontade
causando espanto na comunidade.
Ao contrário do que se poderia imaginar,
o homem nu do Perequê-Açu não causou alarido
Nem mesmo histeria ou violência,
Apenas um cochichado burburinho
Demorou para que alguém tivesse a idéia
de enfiar a mão no bolso,
sacar o celular e discar 190.
As pessoas pareciam não saber se era crime ou não
andar pelado ao entardecer
sentindo a brisa nos pêlos pubianos
ao menos uma vez na vida.
“Esse rapaz só pode estar drogado!”
ouvi alguém profetizar
não sei se era bem isso
seu passo parecia firme, consciente, seguro
Gargalhei sozinha ao recompor tão insólito acontecimento
Que, afinal, tornou-se mais uma poesia-crônica
Curta-metragem sem fim, fragmento de vida
Só me restava dividir com o papel as impressões... Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(0)
03/04/2006 17:31 ela...

A tal da TPM às vezes me fode.
Parece que os problemas cotidianos
simplesmente não têm solução
Na verdade, eu sei que não têm mesmo...
mas em dias de TPM, eles ficam dolorosos
insuportáveis, odiosos, letais...
a rotina do trabalho
o horário inflexível
a roupa previsível
a robotização forçada
o cabelo escorrido
meu grito-gemido,
estancado, sofrido
a cara sem graça,
as olheiras profundas,
a indolência masculina,
o cocô do cachorro,
a louça suja na pia,
o atraso do ônibus,
a bronca da chefe,
a chuva iminente,
a falta de grana,
saudade do pai,
meu tosco ateísmo místico,
a carência afetiva,
a vontade de abraço,
de voltar a ser criança,
ou um feto feliz...
encolhida, quente
escondida no íntimo de um outro ser
Fico me perguntando como é que os hormônios têm tal poder. Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(3)
21/03/2006 17:54
 
na mata eu vi
um arco-íris de pena
tocando uma tambora
um dia inteiro sem parar
era Tupinambá
pai de toda a Jurema
chamando os caboclos de pena
pra vir pr'esse congá
e quando a tambora recuava
os caboclos preparavam seus trabalhos com vigor
e quando a tambora ele tocava
Pena Verde abençoava essa gira de amor Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(2)
14/03/2006 17:12
Narcisismo pós-moderno

Quando acesso meu blog
Tenho a impressão que ele ecoa
Tamanha a solidão virtual
Palavras ao vento, nenhum comentário
Sinto-me um Narciso, solitário
A contemplar no espelho do rio
A própria face vacilante e incerta
Num transe, mergulho na tela
E me afogo nos pixels-micro-estrelas
Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(3)
13/03/2006 09:53
O homem assassino e a baleia tóxica

Outro dia li num site a seguinte manchete: “Baleia assassina é o mamífero mais poluidor do Ártico”. Instantaneamente, me veio um pensamento idiota invasor que disse: “E eu, que achava que assassino e poluidor era o bicho homem...” Em seguida, o texto dizia: “Os cientistas descobriram que a gordura das baleias assassinas, está repleta de bifenilas policloradas (PCBs), pesticidas e até mesmo um produto usado em carpetes. Os PCBs são amplamente usados em produtos elétricos e refrigeradores”. Novamente, o pensamento idiota invasor: “Puxa, e eu que não sabia que gordura de baleia servia de matéria prima para se fazer carpetes e refrigeradores!” Mais adiante, o texto explanava: “Baleias assassinas são os mamíferos mais tóxicos do Ártico, região permeada de elementos químicos domésticos do mundo inteiro” Aaaaaahn... Peraí!!!
Primeiramente, segundo o dicionário, assassino é aquele que mata deliberada e traiçoeiramente ou com premeditação; com violência ou traição. É, ainda, aquele que extingue, destrói, aniquila, causa perda ou ruína. Que eu saiba, baleias não têm essa ardilosidade. Depois, o verdadeiro nome da “baleia”, é “Orca” e, além disso, nem baleia ela é. É golfinho! Ela só leva essa má fama, porque, além de ser grandona, ela come diversas espécies marinhas, inclusive baleias e tubarões. A única coisa que a assemelha ao homem é o fato de ser topo da cadeia alimentar.
A mesma pesquisa que acusa a pobre Orca de ser poluidora, tóxica e assassina, diz que o Ártico é hoje “uma fossa química, que guarda substâncias usadas em nossas casas todos os dias”. As Bifenilas Policloradas – PCB’s, por exemplo, não são inerentes à gordura da Orca, como o pensamento idiota supôs. São substâncias tóxicas não biodegradáveis, que permanecem intactas por muitos anos no meio ambiente. É um tipo de substância que se acumula nos tecidos vegetais e animais. Essas porcarias são cancerígenas e representam um risco efetivo à saúde de homens e animais.
Já os pesticidas, segundo a Wikipédia, “são substâncias químicas que têm como objetivo matar, repelir, regular ou interromper o crescimento de pragas. São consideradas pragas: insetos, ervas, pássaros, mamíferos, peixes e micróbios que competem com os humanos pela obtenção de alimentos”. Essa definição só vem corroborar com a idéia de que o homem é o verdadeiro assassino. Ele extermina tudo o que compete consigo na obtenção de alimentos e depois acaba exterminando a si mesmo, direta ou indiretamente.
O pior é que a “fossa química” em que se transformou o Ártico está se descongelando. Um dia, iremos todos morrer, charfundados na nossa própria imundície, porque a ganância e a pretensão nos impede de sermos menos consumistas. Radicalismo? Talvez... mas a pobre Orca não tem nada a ver com isso...
Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(0)
10/03/2006 17:31 O que eu sinto por você...

Estremece
Intriga
Desnorteia
Arde
Seduz
Alivia
Coça
Cura
Refresca
Desespera
Amansa
Pulsa
Reverbera
Espanta
Surta
Lateja
Grita
Ecoa
Reluz
Goza
Sacia
Ama, enfim...
Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(0)
06/03/2006 10:17 Ah, o poder...
Existe uma citação da qual eu não me recordo o autor, mas ela diz que para conhecer uma pessoa realmente, basta dar a ela um pouco de poder. Esse conceito se enquadra em qualquer situação que envolva o domínio sobre o outro. Desde uma relação conjugal até o comando do mundo.
As vezes eu fico pensando porque será que muitas das pessoas que conquistam o poder, invariavelmente, agem à revelia da vontade dos outros, têm uma tendência a favorecer as próprias vontades, satisfazer os desejos do ego e sucumbir à ilusão da vaidade. Essas pessoas, de repente, esquecem que o poder a elas concedido, é um voto de confiança, é o sentimento sagrado da esperança plantado no coração e é também, um estado tão perecível quanto a própria carne.
O meu questionamento talvez encontre explicação no fato de que pessoas de bem, geralmente, não anseiam pelo poder, não se candidatam a uma posição de domínio. E quando se arriscam, não se dobram aos estratagemas necessários para se chegar lá. O resultado é a derrota. É mais fácil encontrar alguém que merece a posição de líder realizando um trabalho de formiguinha, atuando diretamente, interagindo com a realidade aqui no chão do mundo e não em cima de um pedestal que distancia seus pés da lama, da miséria e da fome que assola esse sistema podre, essa engrenagem carcomida, que embora emperrada, insiste em girar.
O dono do mundo, presidente do país que se impõe pela força e pela grana tem em suas mãos o poder para unir forças com os outros países e brecar a vertiginosa jornada que nos encaminha para o fim. Mas ele não quer. Seus punhos estão cerrados dentro dos bolsos. O homem mais poderoso do mundo só estende a mão quando há vantagem, uma bela contrapartida, a realização de um capricho pessoal. Esse sujeito, que comanda o país mais poluente do mundo não assina o tratado para diminuir a emissão de gases poluentes na Camada de Ozônio.
Pouco tempo depois de se recusar a assinar o tal tratado pela primeira vez, uma cidade inteira de seu país foi devastada pela fúria da natureza. Nossa grandiosa mãe, com apenas um sopro, impôs o seu poder a um humanozinho arrogante com ares de deus. O pior é que ele, ainda inebriado pela soberba, não moveu uma palha para remediar a situação. Deixou os sobreviventes entregues à própria sorte, em meio ao fedor, às doenças, à fome, à sede e aos cadáveres desfigurados. De uma hora para a outra, a ordem deu lugar ao caos e o desespero, fez das pessoas um bando de selvagens, saqueadores e assassinos potenciais. E o cara continua indisposto a participar do tratado.
Trazendo a conversa para o nível nacional, faço uma reflexão sobre a nossa débil democracia, sob esse aspecto, somos uma nação jovem, em formação. Para não regredir ao descobrimento e entrar no mérito dos calhordas que vieram impor seu poder e supremacia aos nativos da terra, vou falar apenas da transformação do militarismo em democracia. A liberdade foi conquistada à custa do suor, das lágrimas e do sangue que ousaram peitar o poder vigente, autoritário que era. Depois disso, os bravos heróis deitaram-se em berço esplêndido e consideraram findada a batalha, inocentes que eram.
Uma vez implantada a democracia, os sedentos pelo poder encontraram outros meios de exercer o domínio, fizeram a nação se lambusar do melado que não estava acostumada a comer. O povo brasileiro se fartou com o excesso, distraiu-se com a futilidade, entorpeceu-se com a putaria, perdeu o senso crítico e a consciência política. Confundiu liberdade com libertinagem e encontra-se agora confortavelmente anestesiado. Pronto: uma nova ditadura impera. Nociva e silenciosa. A censura existe e é perspicaz. Quando era explícita, a verdade era dita de forma capciosa e inteligente. Agora, que teoricamente, pode-se dizer tudo, o que interessa é filtrado pela malha fina dos meios de comunicação, que apenas dizem amém aos poderosos. “Quem pode mais chora menos” é o nosso lema.
O presidente do Brasil é um homem que lutou pela liberdade, embora sua filosofia tenha raízes radicais e tendências ditatoriais. Os eleitores brasileiros só o escolheram depois de testar diversos estilos. De playboy a sociólogo, quase tudo foi tentado até se chegar ao estereótipo de homem do povo, nordestino, sofredor, operário, imigrante, defensor dos fracos e oprimidos, quase um deles. Foi só dar o poder a ele para perceber a pequenez do seu espírito, sua fraqueza de caráter e a incompetência nata de quem só ansiava por uma posição e nada mais.
Isso mostra que para exercer o poder de forma sábia e justa, não basta conhecer as carências do povo e sentir na pele suas emoções. É preciso ter nobreza de alma e sincero amor ao próximo. O mistério é entender se qualquer ser humano, por mais nobre que seja, fica besta quando sente sobre si o peso da coroa. Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(0)
26/07/2005 08:21 NULL

Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(4)
18/07/2005 15:16 Carpe diem
Poesia é fantasia
É uma realidade que se cria
Com um bocado de utopia
Para fragmentar a dor
Para intensificar a cor da flor
Que nasce dentro do peito
Que espera um amor perfeito
O mais bonito do jardim
Que seja imortal e que seja sem fim
Poesia é tristeza
É uma dor que dói com leveza
Porque sussurra palavras de infinita beleza
Poesia é a alma
De um poeta sem calma
Que não dorme,
pois seu sentimento grita
uma canção aflita
que precisa ser escrita
para que o homem não morra
nem mesmo fuja ou corra
daquele que é o seu destino:
ser poeta, ser forte e ser ainda menino Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(1)
01/07/2005 18:01
Existirá realmente
uma inteligência suprema
que a tudo criou
ou aquele a quem chamamos Deus
é essa coisa infinita
abstrata e bela
o insondável universo
que é a soma de todas as coisas
desde o mais asqueroso de todos os vermes
até a mais brilhante estrela
ou será Deus ainda
o equilíbrio de tudo isso
o mau e o bom
o bem e o mal
bonito-feio
claro-escuro
yin/yang, ôm, sarava, amor...
Aqui, no meu quarto
O mais profundo breu
Restam-me:
Caneta, miolos e silêncio
Ou ainda
Fé, esperança e certeza
Dentro de mim
O universo infinito
A encarnação de um Deus
Mulher
Homem
Verme
Luz
Breu. Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(1)
17/06/2005 10:02 NULL

De tão linda que é
A flor do maracujá
Chega a ser quase uma pena
Tornar-se fruta
Se não fosse
o amarelo suculento,
crocante semente
aromático azedume
e sua delícia calmante...
eu diria que é mesmo uma pena
a flor tornar-se maracujá... Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(2)
13/06/2005 08:51 ET Céteras parte IV
Socialmente, a futilidade deixa-me entediada, não consigo ficar por longos períodos falando sobre cabelo, roupas e novela. Se arrisco algum assunto diferente, lá vem a indagação, muitas vezes, silenciosa: De que planeta você veio, hein? Não tenho a mínima vontade de freqüentar as baladas onde rola muita bebedeira, cigarro, música ruim e caça ao sexo oposto. Detesto me sentir como um pedaço de carne exposto na vitrine do açougue. Além disso, sou sempre barrada no baile. “Quantos anos você tem, mocinha?” Prefiro ficar em casa, com o Fernando Pessoa.
Então, tenho poucos amigos, espalhados por esse planeta. Pessoas que quase não vejo, pessoas que sinto falta. Seres com quem a afinidade é instantânea, aquelas que conhecer parece mais um reencontro. O papo rola fácil, descontraído e o silêncio não incomoda. Dá para ficar horas conversando sobre o mistérios existentes entre o céu e a terra, mesmo que seja vã a nossa filosofia... Nesses momentos, percebo que não sou o único E.T. que se esborrachou na Terra.
Infelizmente, estou começando a perceber que pessoas como eu não têm grandes chances nesse mundo. Ou elas se encaixam no modelo padrão da sociedade, ou são discriminadas, esmagadas, excluídas, queimadas em fogueiras, torturadas nos porões da ditadura. Ou ainda, afogam-se em suas próprias frustrações, morrem de tristeza e solidão.
Percebo que, pouco a pouco, a vida está tirando de mim a naturalidade. Está cada vez mais difícil continuar sendo ET-borboleta-criança-inocente-eu-mesma-a-qualquer-custo. Estou tentando ser “normal”, seja lá o que isso signifique. Covardia? Exagero? Talvez... Mas estou-me travestindo, virando um robô para garantir minha sobrevivência na Terra.
Começo a guardar minhas idéias para mim, estou evitando mergulhar de cabeça nas histórias de amor, como sempre foi o meu costume. Mastigo palavras e as engulo a seco, cerro os dentes para não vomitar. Abaixo a cabeça, porque os olhos... esses eu ainda não consigo dissimular. Cruzo braços e pernas, faço deles um escudo contra as violências diárias. Obedeço ordens e procuro não questionar com aquela paixão que me é peculiar. Apego-me à fé e à justiça divina, para não desmoronar.
O objetivo disso tudo? Ainda não sei... Só espero um dia reaprender a voar e etc, etc, etc...
Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(2)
13/06/2005 08:35 ET Céteras parte III
Profissionalmente, minha sinceridade, às vezes, me lasca. Algumas pessoas me acham impertinente, dizem que eu não sei “respeitar comandos e hierarquias”... Talvez essas pessoas não me levem muito a sério porque tenho 23 anos, com cara de quinze. Ainda por cima, falta-me um ano para receber o diploma. Para completar, tenho mania de dar sugestões. Quando as idéias parecem boas, são abraçadas como se não fossem minhas. Quando elas não convém, julgam-me e não me deixam falar. Eu incomodo, pois sabem que, se me deixarem livre, o céu é o limite para mim. Pensam: que menininha pretensiosa! Cortem suas asas, antes que ela voe alto demais! Minha sorte é ter aliados, pessoas que confiam em mim, admiram meu trabalho e minha luta, querem me ver progredir. E essas pessoas têm mais força que as outras. Quem foi que disse que os Ets não têm anjo da guarda?
Espiritualmente, tenho altos e baixos. Creio em Deus e na Presença Divina, mas às vezes acho que Ele desistiu de nós... Experiência que não deu certo, criaturas que caminham para a autodestruição. No dia seguinte, olho a natureza e sinto o amor infinito, a grandeza do Ser que não tem sexo, nem nome, nem cor. Ele apenas existe e se manifesta em cada átomo que compõe o universo. Vejo que as coisas são como têm que ser. Fora isso, minha religião é uma miscelânea de conceitos, filosofias, culturas, crenças, superstições, deuses e santos. Ou seja, sou totalmente sincrética. (não é licença poética, essa palavra existe mesmo!)font>
continua... Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(3)
10/06/2005 17:31

Abraço
Duas pessoas que se gostam
Aproximam-se, abrem os braços
Os corpos se tocam
Entrelaçam-se mutuamente
Nesse momento,
Porto-seguro, muralha intransponível
há uma troca de calor
Sensação de bem-estar,
proteção, completude
Tudo fica fácil...
O tempo pára de escoar
Redoma contra todos os problemas
Inexplicável prazer... Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(1)
09/06/2005 15:46 ET Céteras parte II
Minha relação com os homens (seres humanos do sexo masculino) é, no mínimo, confusa. Eles nunca entendem o que eu falo ou sinto. Se eu digo oi, eles pensam que estou “dando bola”. Se estou dando bola é porque estou afim de transar. Se estou afim de transar, já pensam logo que estou apaixonada e quero namorar. Se quero namorar, fogem de medo, concluem que quero casar e se eu quero casar... Bem, acho que depois de tantos desencontros, eu não pretendo mais me casar. Mas se eu não quero nada... Ah, aí sim, eles querem tudo comigo, até mesmo casar!
Pô! E o que eu quero na realidade é apenas conviver, bater papo, trocar experiências de vida, carinho, amizade... O resto é conseqüência, o resto, deixa rolar! Estou cansada de relacionamentozinhos escravizantes, sofrimentos desnecessários, possessividade doentia e sexo sem fundamento. Eu quero mais é curtir a vida e ter alguém para dividir os momentos. Não interessa se esse alguém é amigo, se é colorido, se é namorado, ficante ou companheiro... Eu quero crer que não estou só nesse mundo! Mas só esse assunto já renderia um post enorme, então, não vou me alongar muito nele. Quem sabe um dia...
continua... Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(2)
09/06/2005 15:33 ET Céteras parte I
Muitas pessoas me perguntam se eu sou mesmo desse planeta. Por vezes, não sei o que responder. Eu mesma tenho dúvidas cruéis a esse respeito. Não quero com isso dizer que sou melhor do que qualquer pessoa e sim, que sinto uma dificuldade imensa de me adaptar a essa sociedade em que, supostamente, nasci.
Meu maior problema nesse planeta é lidar com a maldade humana. O que mais me desespera é saber que é preciso estar preparada para tudo, esperar qualquer coisa de qualquer pessoa e confiar desconfiando, sempre. Andar nas ruas, dura de medo de ser assaltada, estuprada, agredida ou assassinada gratuitamente.
E pensar que há algum tempo eu andava, borboleteando livremente pela cidade... Três assaltos depois, uma certa experiência de vida e o meu envolvimento íntimo com o jornalismo, agora me fazem atentar para a cruel realidade. O pior é que eu não tenho o mínimo talento para isso... O que tenho é uma necessidade descomunal de entregar meu coração, expor o que penso, amar e confiar nas pessoas, me deixar transparecer... Resultado: INVARIAVELMENTE ME FODO. Em pequenas e grandes proporções.
Sinto-me irremediavelmente só. Isso deveria ser normal, afinal, não somos todos individuais? Mas ocorre que, dentro da minha individualidade, não consigo me conter, os sentimentos são tão reais que têm vida própria, transbordam em meus olhos, fogem sorrateiros por meus lábios, expressam-se no corpo, feito dança que a alma move.
Continua... Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(1)
12/04/2005 11:26 NULL
Amar, no sentido mais amplo
é não querer para si
aquilo que não lhe pertence
é contemplar imensidão e beleza
e deixá-la sempre seguir
Assim como o mar
que nunca pára de ondear
nosso planeta sempre a girar
um coração pulsante,
espírito errante
não se pode aprisionar
Amar é, acima de tudo deixar
o outro ser o que é
compartilhar com ele
os momentos que a vida permite
viver intensamente o instante
e deixá-lo passar feito brisa
que toca o rosto e segue suave
Aceitar a saudade como lembrança
de um momento bom que se foi
Amar, enfim, é além da vida
é mais do que o corpo
independe do sexo
amante, irmão, pai
bicho, pedra e semente
tudo faz parte de mim
e nada me pertence
absolutamente... Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(4)
28/03/2005 12:05 Carnal
Trago a fumaça
Inspiro-me, poesia
Aspiro à felicidade
expiro tristezas e desilusões
Devoro a refeição
mastigo minhas ansiedades
engulo a seco palavras, o choro, um nó
Digiro incompreensões
Arroto de insatisfação
Bebo lágrimas que escorrem pela boca
sorvo cada gota de esperança
enxarco-me de emoção
transo a vontade de amar
trepo o desejo incontido
masturbo noites solitárias
goso a indiferença dos homens
Durmo a minha inercia
desdobro utopias astrais
sonho meu mundo melhor
sonambulo vontade de voar Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(1)
22/02/2005 11:33 Magia virtual
A vida proporciona cada oportunidade!
A magia se faz presente nos mais corriqueiros momentos
Até mesmo a tecnologia que hoje nos cerca e digitaliza palavras
Torna-se responsável por encontros incríveis entre seres humanos
Pessoas que talvez nunca se conheceriam, encontram-se em salas virtuais
Trocam experiências, dividem emoções, fazem contato...
Domingo eu não estava muito bem,
Fui bater papo no uol,
Conheci uma pessoa legal.
Olha só o que ele me escreveu:
"Faz parte da vida, nos questionarmos sobre o ser ou não ser de tudo, e...
Por vezes, vislumbramos o horizonte tão estreito,
Direcionando-se para um único ponto...
óbvio demais, enfadonhamente previsível...
Outras, o ampliamos em demasia,
perdendo o foco de nossos sentimentos e objetivos,
transformando nossos desejos em atos condicionados,
nos perdemos em momentos prolixos e redundantes...
Quiçá não é na harmonia desta dualidade ferrenha do tudo ou nada
que more a mágica da vida e de tudo o que é e não é...
A insensatez de se viver o momento sem saber
o que se foi ontem ou questionar o que será do amanhã...
Apenas ser, despido de nossos pré conceitos e aspirações, apenas ser...
Ser o que de mais belo em nossa alma possa haver...
Atingir o nirvana, desvelar os véus que envolvem nossa essência...
pode ser a luz da evolução ou da insanidade...
Não há pior nem melhor, apenas há o que alcançamos
a cada passo de nossa jornada de eternos andarilhos
onde fazemos do suor a aspiração,
das lágrimas a transmutação
e do sorriso, a realização
para ver refletido em qualquer espelho de bar nossa verdadeira face,
sem mascaras, sem as personas que turvam o entendimento...
que ofuscam nossa real luz e sua real fonte...
Nascente e morada do néctar que mata a sede de nossas angustias e dilemas...
Mas já passou, era só a tal da TPM... Tensão pré maturidade... rs...
Em um ensolarado domingo"...
OBS: E ele ainda diz que não sabe escrever... Aline Rezende | ei, navegante, comentar é preciso!(1)
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